INOVAÇÕES ORGANIZACIONAIS DINAMIZAM O SETOR DE SUÍNOS

*Marcos Fava Neves, Especial Para A Folha De São Paulo, 31/03/12

A análise de uma década na cadeia de suínos mostra importantes transformações que dinamizaram o setor, abrindo caminho para uma vigorosa expansão na carne que representa 40% da produção e consumo mundial.
Com 3,4 milhões de toneladas, o Brasil tem quase 4% da produção do planeta, quarto maior produtor e exportador. É um caso de sucesso do agronegócio, levantando as exportações anuais de US$ 100 milhões para US$ 1,4 bilhão em dez anos.
É uma cadeia de mais de 50 mil suinocultores e uma indústria líder mundial, empregando 1 milhão de pessoas. As inovações em governança interna, a busca por novos mercados e a remoção de barreiras para o exportador são destaques importantes desse setor.
Uma porção de cerca de 60% do mercado mundial, principalmente a parte mais rentável (Japão, EUA, Coreia, México), está fechada para exportações do Brasil, que assim acaba ficando muito dependente dos russos, um mercado bastante incerto.
Um exemplo de agregação de valor no setor ocorreu em Ponte Nova (MG). Um grupo de 42 suinocultores investiu R$ 80 milhões em um frigorífico, com elaboração de 290 produtos processados, arrecadação de R$ 4,5 milhões de impostos por ano e geração de salários para 850 pessoas.
Pesa contra o setor produtivo, no entanto, o aumento dos preços dos grãos, além dos custos que se elevam no Brasil, advindos das questões trabalhistas, ambientais, de logística, energia, tributárias e de custo de capital (juros). O custo no Brasil pulou de US$ 0,90/kg para US$ 1,44/kg em dez anos. Nos EUA, subiu de US$ 1,29/kg para US$ 1,40/kg no período -o Brasil ficou mais caro que os EUA.
O aumento dos custos não permite margens para a sustentabilidade econômica do produtor, tendo inclusive levado a tensões no modelo de integração do Sul do Brasil, um dos mais admirados e que possibilitou ao país ter empresas lideres mundiais.
O setor produtor integrado vem clamando por um “Consesuínos”, tal como o Consecana (conselho dos produtores do setor de cana) e por preços remuneradores.
A concretização da cadeia de suinocultura deve, no entanto, caminhar no sentido de remover essas travas. Há um mercado a ser conquistado e o Brasil tem empresas e organizações habilitadas.
MARCOS FAVA NEVES é professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP, campus Ribeirão Preto, e coordenador científico do Markestrat. Texto feito a partir de imersão em regiões produtoras de MG e debate com empresários.